terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Fico chateada. Claro que fico chateada!

Pois é. Fico chateada. Claro que fico chateada!
Ultimamente isto tem-me acontecido com demasiada frequência.
Custa-me ver pessoas doentes que sem necessidade alguma me vêm pedir para lhes oferecer o meu trabalho.
Uma conhecida minha, já há anos, gastou 400 euros com uma chinesa que por aí apareceu, numa consulta de feng shui. Esta entregou-lhe um dossier cheio de banalidades básicas.
Tirando ter recomendado uns lençois de setim rosa... o resto da casa continua com falhas crassas. Tal como a vida deles.
Há anos encontrei na rua um velho conhecido meu. Com uma doença degenerativa nervosa difícil. Disse-lhe para aparecer no meu consultório se se quisesse mesmo curar. Respondeu-me que as minhas consultas eram muito caras e que tinha um seguro que lhe pagava os exames e as consultas. Perguntei-lhe se lhe davam ao menos uma esperança de cura.
Respondeu-me muito ofendido que tinha uma doença incurável.
Ainda lhe disse que não existem doenças incuráveis. Que fosse ao meu consultório para falarmos bem disso. Precisava de ver a doença e a vida de outro ponto de vista para se curar. Ficou furioso e olhou-me como se eu fosse um ser do outro mundo.
Anos depois soube que estava muito pior. Há dias soube que está à morte a além disso em grande sofrimento.
A doença perturba muito o discernimento das pessoas.
Depois uma outra conhecida minha gasta balúrdios em viagens, carros, vestidos, médicos, medicamentos, termas, conselheiros de tudo ou de nada, exames e tratamentos. Digo-lhe para aparecer no consultório quando quiser mesmo curar-se. Começou logo a queixar-se que estava com muitas dificuldades de dinheiro, etc.
Respondi-lhe então que aparecesse quando tivesse.
Eu tenho sempre um mínimo razoável de pessoas em clínica social, as quais pagam muito menos, por de verdade não terem meios. Mas tenho de viver.
Ainda não vivo só do ar e do prana.
Agora estas pessoas minhas conhecidas que espatifam dinheiro em tudo e em nada. E ainda com todos os vigaristas do mercado e depois ainda se atrevem a vir-me pedinchar consultas e tratamentos, põem-me mesmo furiosa.
Mas custa-me vê-las cada dia pior.
Porém não posso salvar toda a gente.
E se não dão sequer valor às minhas consultas para também as pagarem, não merecem que lhes dedique tempo algum. Nem sequer muito provavelmente iriam seguir os meus conselhos.
Por favor não me peçam para dar a única coisa que tenho para vender!
Esta desinformação acerca da saude é diabólica.
Se eu não soubesse da lei do karma, custava-me ainda muito mais tudo isto.
Mas mesmo assim: fico chateada. Claro que fico chateada!

Velhice não tem de rimar com doença

Hoje fui ao supermercado. Como estavam muitas lojas fechadas tive de ir a um na Rua de Sant'Ana à Lapa.
Quando estava na bicha para pagar as hortaliças comecei a reparar nas caras das outras pessoas. Entretive-me a fazer-lhes diagnóstico. A ver o que estavam a comprar relacionando-o com os distúrbios diagnosticados. Iogurtes, comida light, leite, fiambre, fruta, coisas consideradas saudáveis. Que desinformação!
Muitos velhinhos bem vestidos. Muitas mulheres com muito bom aspecto. Mas o olhar, e consequentemente o sistema nervoso, embaciado pelos efeitos iatrogénicos de medicações.
A medicação quase de certeza lhes fez pior que a doença!
Exaspera-me que as pessoas aceitem rimar doença com idade. Podemos viver e morrer saudáveis!
Pode-se morrer sem ser de doença. Morre-se apenas porque chegou a nossa hora de ir desta para melhor.
Pode-se viver sempre saudável, bem e até muito mais tarde do que em geral se pensa.
Também me exaspera ver as doenças a avançarem enquanto as pessoas as pioram, com medicações que só disfarçam os sintomas, porque cheias de efeitos secundários, enquanto desperdiçam vitalidade e tempo precioso em exames de utilidade extremamente discutível.
E ainda confundem estes exames com tratamento. :-0
Exames... na maioria ainda pioram a doença e são só uma forma de delegar as responsabilidades pela não-cura que têm para oferecer.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Os meus primeiro e ultimo composits como modelo





Estes foram os composits com que comecei e terminei a minha carreira de modelo.
Do primeiro só uma foto era de qualidade. Ainda hoje o é.
A directora da agência tinha contratado um fotógrafo inglês que fotografou todos os modelos da agência a despachar, de seguida e no mesmo dia. Eu tinha muito melhores fotos mas ela resolveu pôr estas...
No último composit ambas eram boas.
Foi trabalhando como modelo, manequim e actriz que me pude dar ao luxo de sustentar-me a mim e aos meus dois filhos mais velhos, além de estudar acerca de tudo o que me interessou. Aprendendo com alguns dos melhores mestres.
Quando decidi sair da faculdade de medicina acabou a paternal mesada.
Financiei-me numa profissão de que gosto muito e que me deixava muito tempo livre. Bastava-me trabalhar um dia para ganhar mais que muita gente ganha num mês inteiro a trabalhar todos os dias.
Estou muito grata por este belo presente que o Criador me deu: a possibilidade de exercer esta linda profissão.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

A minha foto preferida




Esta foto em que apoio a cara na mão foi a minha preferida.
De todas a da minha longa carreira.
Foi feita no Estoril. Ano de 1992, creio. Mas não tenho a certeza pois desapareceu o original. Só me resta o formato digital.
Do fotógrafo tambem não recordo o nome. Mas era muito bom.
Era para uma agência de casting para actores. Da Patrícia Vasconcelos.
Escolhemos esta e outra. Esta cheia de paz. Ou será vazio?
A outra, escolhida na mesma altura, tem toda a intensidade das emoções.
Em cada ser humano existe a totalidade do Universo.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Mas que alcoólicos e tabagistas eram estes personagens dos Maias


Estou a reler os Maias. Tinha-o lido quando adolescente. Agora tem muito mais graça. Estou muito mais crescida. Entendo o mundo doutra maneira.
O Ramalhete seria lá em baixo, perto da rua das Janelas Verdes. Sintra. O Grémio. A Casa Havanesa. O S. Carlos. Todo o Chiado. Tudo tão diferente hoje. E noutras coisas tão igual.
Tantas críticas continuam demasiado actuais. Como conseguimos ainda resistir como país?
Mas o que mais me impressionou foi a discrição minuciosa dos hábitos das classes superiores. Pontuavam o dia pelo uso de drogas caras como símbolo dessa dita superioridade social. Que péssimo exemplo foram estes textos. Imitados por tantos leitores pretenciosos, sem referências melhores na vida que pura e simplesmente imitar as classes superiores.
Até o Carlos da Maia em menino bebia! Um copo de Colares, só um à refeição.
E dizia Sr. Vovô escorropichando o copo de Porto. Parece que o Bucelas é que era só para os crescidos. Alguém me explica isto? Seria do grau alcoólico do Bucelas ser mais elevado que o Colares? Ao menos tinham este critério?
Só D. Diogo da forte bronquite tomava uma cházada enquanto todos os outros parceiros da mesa de whist se suicidavam alegremente enquanto se enchiam de dogas legais como alcool, fumavam cachimbo, charuto ou saboreavam uma cigarrete. Bebiam litros de café, chá, ponche, grogs por causa do frio, mandavam 6 garrafas de Châteaux-Margaux como remédio reconstituinte à convalescente de pneumonia, alguém aspirava o bouquet de um copo de St. Emilion. Na biblioteca Afonso da Maia bebia o seu Cognac com soda, antes de ir dormir. E assim por diante.
No entanto este romance tem uma história muito boa, pelo meio do que parece uma carta de vinhos e tabacos de um bom (?) restaurante.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Agostinho da Silva nasceu há 100 anos


Agostinho da Silva nasceu há 100 anos. A 13 de Fevereiro 1906.
Como profeta que foi, cada dia mais nos surpreende com a sua actualidade.
Como ele dizia um profeta nunca pode ser um bom político. E político ele nunca o foi. Senão estaria hoje apenas nos livros de História num lugar demasiado discreto. Pois não tinha feito morrer montanhas de seres humanos inocentes. Já reparou que quanto mais matam mais lugar lhes dão nos livros de História?
A minha vida divide-se no Antes e no Depois de ter descoberto este Grande Senhor. Foi o Luis Carlos de Matos quem primeiro me chamou a atenção para ele. Éramos tão novos e entusiastas!
Começou então a minha reconciliação comigo mesma nesta Grande Aventura da Vida.
-Afinal não sou só eu. Este também vive só fiel a si mesmo. E ao Deus dará.
Afinal não era só eu a pessoa com estranhas opções de vida, nada fáceis; mas aquelas certas para me deixarem sempre de bem comigo mesma.
Ele também viveu transmutando alquimicamente as dores da vida.
A nossa sociedade oferece às mulheres muitas oportunidas de não assinar declarações com que não estão de acordo.
Diziam-me:
-Toma um válium! Assim já não precisas de fazer tal coisa!
Escolhas fracturamtes não são muito bem entendidas. Ele também não assinou a tal declaração.
Afinal não era só eu que era convidada pela professora de Filosofia para mostrar aos seus alunos do secundário que a vida e o sucesso eram possíveis para pessoas fora da manada.
Clique aqui para saber mais sobre esta grande figura da Portugalidade. Tem também um link na lista do lado. Está sempre a ser actualizada e tem toda a informação. Clique na imagem até 2 vezes para poder ler bem.
Clique aqui para saber do muito que há na net sobre este Homem.
Vou fazer uma conferência sobre ele no dia 24 de Março, próximo. Calha a uma 6ª feira.
No Salão Nobre da Associação Agostinho da Silva. (18 h; Rua do Jasmim 11, ao Príncipe Real em Lisboa)
Tem o título A Aventura da Vida.
Apareça.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Encontrei azeite do bom!

Comprei uma garrafa de azeite bio que é um poema!
Foi feito no lagar da herdade. O moinho era de granito local, Vila Velha de Ródão.
A garrafa mostra borras da cor das azeitonas. Nem filtrado foi.
Tem um rótulo simples a branco e preto com a informação necessária e suficiente. Só letras sobre o branco do papel. Está rolhado com uma rolha de cortiça da melhor. Quase sem poros. E foi vedado simplesmente mergulhando o gargalo em quente cera virgem de abelha. Ainda perfumada do mel.
Encontrei-o numa das minhas raras idas a um supermercado. Não resisti. Resgatei-o pelo dinheiro que pediam e trouxe-o para casa. Além de ser bonito e simples até sabe bem.
Temperei-o com alho para o barrar no pão. O resto vai servir para os meus molhos. É uma obra de arte.
Chama-se Azeite Tojeira.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Sem comentários


Esta é só para meditarmos. Sem comentários.
Clique na imagem até duas vezes, para a poder ler bem.
Consegue aceder à lista completa das empresas que testam ou não em animais clicando aqui ou aqui.
Para ajudar animais humanos ainda por nascer e suas mães aflitas, mande um email para aqui: sos.vida@clix.pt ou telefone para: 916 935 535 / 938 082 597/ 962 423 714

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Quero ser rica!


Uma família vivendo naquela zona social que normalmente se considera estar economicamente bem, decidiu que o seu filho tinha de aprender o que é ser pobre. Por isto o pai levou-o para passar uns dias com uma família de camponeses amigos dele.
O menino passou uma semana no campo com eles. Já no carro, de volta à cidade, o pai perguntou-lhe:
-Então? Que tal foi esta experiência?
-Muito boa, Pai!
Respondeu o filho, com o olhar perdido na distância.
-E o que é que aprendeu?
Insistiu o pai.
-Aprendi muitas coisas:
1 - Que nós temos um cão e eles têm quatro.
2 - Que nós temos uma piscina com água cheia de químicos de síntese. Que só chega até metade do nosso quintal. Eles tem um rio sem fim, de água pura e cristalina, onde vivem peixes, plantas e outras maravilhas.
3 - Que nós importamos luzes do Oriente para iluminar o nosso jardim, enquanto eles têm as estrelas, os pirilampos e a lua para iluminá-los.
4 - O nosso quintal chega até ao muro do vizinho. O deles chega até ao horizonte.
5 - Nós compramos a nossa comida feita. Eles cozinham-na com hortaliças frescas da horta.
6 - Nós ouvimos CD's e vemos DVD's... Eles vivem dentro de uma perpétua sinfonia de pássaros, sapos, grilos e outros animaizinhos...tudo isso às vezes acompanhado pelo sonoro canto de um vizinho que trabalha na terra dele.
7 - Nós usamos microondas. Tudo o que eles comem tem o glorioso sabor do sol e do fogão a lenha.
8 - Para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes... Eles vivem com as portas abertas, protegidos pela amizade dos seus vizinhos.
9 - Nós vivemos agarrados ao telemóvel, ao computador e à televisão. Eles estão ligados à vida, ao céu, ao sol, à água, ao verde do campo, aos animais, às árvores, às suas sombras, à sua família.
O pai ficou impressionado com a profundidade dos pensamentos do filho.
- Obrigado, pai, por me ter ensinado o quanto somos pobres!
E nós?
Será que vamos continuar assim? Pobres?
Cada dia indo ficando mais pobres de espírito e afastando-nos da Mãe Natureza?
Que é a grande obra do Criador.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

As minhas plantinhas da horta

Fui ver as minhas plantinhas. Andava muito preocupada com elas.
Teriam sido destruídas pela neve e frio. Estou mesmo farta de viver em Lisboa!
Anda uma multidão a sonhar com "viver na Lapa". Ou até só vir "lanchar à Lapa" ao Chefe's ou ao Chá da Lapa. Eu há décadas não ponho lá os pés. Só como bem em minha casa.
E aqui estou eu a querer ir viver para o pé da minha horta.
Desde a neve que não via as minhas queridas plantinhas. Afinal estão muito bem.
As favas já vão todas lançadas por ali acima a crescer. As outras ainda não se percebe bem de que espécie são; mas depois da lua cheia já devem ter outro tipo de folhas. Das estacas que tirei das podas e embacelei parece que" pegou tudo" lindamente. Tal como as roseiras e sardinheiras. Os rabanetes já têm umas cabecitas razoáveis. Os viveiros, de alfaces e cebolas, estão a funcionar bem, apesar da minha experiência de tendo uma tampa de vidro ter arranjado uma maneira para que chovesse lá dentro. Pois, para não ter de os regar :-)
Tenho de andar sempre a experimentar coisas novas. Sobredotados ;-))
Eu acredito que uma das leis da Ordem do Universo é a Lei do Menor Esforço.
O composto está muito entretido a fermentar. Quente, mas não demais.
Os peixes do lago cresceram muito. Deve ser da dieta de bichos que nos picariam. (Será que os mosquitos procriam com este frio? Tenho de rever bem o ciclo de vida dos mosquitos.) Seja o que for que comam, estão bem alimentados.
Os alfaiates continuam a caminhar por cima das águas, apesar do Inverno.
Tenho andado muito atenta à lua e ao tempo. Se chove fico contente, pois assim não tenho de as regar. Ganhei uma nova ligação à Natureza e aos seus ciclos.
E eu sem mais trabalho nenhum, (por enquanto) nem preocupações, assisto.
Atenta.
Tenho de pôr umas armadilhas para os caracois antes que eles chamen um figo às minhas plantinhas. Mas apesar de os ter encontrado ainda não dei por estragos. Devem preferir as ervas. Vamos ver se não tenho surpresas desagradáveis da próxima vez.
A Mãe Terra é tão generosa!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Borda d''Água - O verdadeiro Almanaque

Paz, Felicidade e Amor
Ontem, nas habituais arrumações de livros e papelada lá em casa, encontrei o Borda d'Água de 2006. Afinal já o tinha. Ultimamente tinha feito várias tentativas para o comprar e nunca conseguia pelas mais variadas razões e afinal antes já o tinha comprado.
Realmente as coisas acontecem sempre da melhor maneira. Custa-nos é acreditar nisto.
Assim que o encontrei li-o de fio a pavio. Maravilhada.
Realmente este almanaque de um ano para o outro ficou com uma qualidade incrível!
As informações preciosas que o sábio Pedro Teixeira da Mota ali dá!
Indispensável é lê-lo; mesmo para quem não for agricultor bio.
Muito obrigada Pedro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Sobredotados.pt

Soube há dias que finalmente a mais importante professora da minha vida encontrou o descanso eterno.
A Dra. Ana Maria Salazar Leite morreu a 21 de Dezembro passado.
Voltaram-me muitas memórias da infância e adolescência.
Apesar de eu, desde os meus 10 anos, nunca ter entendido (seria dos tempos de ditadura?...) a sua ausência de respeito pelos direitos humanos, a sua caótica noção de justiça e os porquês de ela embirrar cruelmente com a minhas colegas "menos ricas", estou-lhe muito grata por me ter facultado os meios que me permitiram acabar o liceu e poder entrar na universidade. Maugrado sendo sobredotada.
Ser
um génio é outra coisa: convencionou-se há poucos anos que são só aqueles que aparecem e alteram o rumo do conhecimento. E são muito raros.
Ainda hoje ter muita inteligência é algo que complica a vida aos portugueses. Ela entendia o meu caso. E eu, em 15 dias estudava a matéria dada durante todo o ano lectivo. Na "passagem" que ela fazia para os alunos atrasados, eu lá conseguia passar de ano dentro dos 12/ 14. Se estivesse numa escola pública certamente não teria acabado sequer o liceu.
Já sei que dos mortos se deve sempre falar só bem... Mas eu sou uma sobredotada, desculpe lá. ;-) Bizarrias nossas.
E aquela frase, do tipo balde de água fria, em que ela banalizou o eu ter sido admitida na Mensa- the High I.Q. Society é bem expressão daqueles tempos cruéis:
-"Pois. Tu e o Jorge Peixinho foram, desde sempre, os meus alunos mais inteligentes."
Podia ao menos ser correcta e primeiro ter-me dado os parabéns! :-(
Este famoso compositor era sobrinho da minha professora de piano: Judite Rosado. Ele visitava a tia e intimidava-me. Achava-o um senhor muito crescido que tinha uma carreira brilhante na música internacional. Tinha eu uns 5 ou 6 anos.
Todavia nunca me agradou a música dele. Hoje acho-a até do pior que há para a saúde, como tanta outra. Mas tem o grande valor ao nível da busca intelectual e artística.
Andei a fazer uma pesquisa na net. Já existem por cá umas entidades que se dedicam a crianças, como eu fui.
Eu não era uma terrorista como muitos hoje. Naquele tempo não havia lugar para terroristas nas escolas. Tinha de sobreviver!
Era antes uma menina muito bem comportada e socegadinha. Que assistia admirada às agressivas dinâmicas de grupo que iam acontecendo à minha volta. A mim deixavam-me em paz. Tinha tido uma tal reacção quando tentaram meter-se comigo que nunca mais me incomodaram. Até as vítimas das crueldades dos professores ou dos colegas, costumavam aproximar-se de mim, pois sabiam que as deixavam em paz estando comigo.
Achava horrível as cruéis reguadas e ponteiradas. Não gostava das brincadeiras (estava só poucas horas na escola portanto podia brincar à minha vontade em casa). Mas gostava de trocar ideias. Então as partidas achava-as apenas um mero e cruel abuso de poder. Completamente idiota.
Se contavam algo credível de forma credível porque é que troçavam se alguém acreditasse na história inventada? Ou porque troçavam se alguém se assustava por lhe pregarem um susto? Qual é o gozo de magoar ou de fazer sentirem-se mal as outras pessoas por serem como são?
Claro que com estes princípios escolares... eu tinha de me vir a interessar pelos direitos dos humanos e dos animais.
Nos livros que li sobre sobredotados revi-me. Especialmente no meu desinteresse pelas escolas. Reconfortou-me saber que na maioria preferimos estudar sozinhos. Ser autodidatas. Na verdade eu prefiro estudar com mestres a ser autodidata. Ainda hoje prefiro sempre estudar apaixonada e exaustivamente qualquer assunto que me interesse. Se quero aprender sobre algo procuro informação. Fico dias ou semanas ou meses ou anos a estudar até apreender o padrão dominante. Um padrão que se aguente, seja o assunto tratado de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou de esq para a drt ou viceversa. Assim dou-me por satisfeita. Consegui chegar à essência da coisa. Já esgotei aquele assunto e portanto posso dedicar-me ao próximo que me interesse.
Quando leio aquelas perguntas de qual o seu livro de cabeceira ou o seu autor preferido... eu teria mesmo muita dificuldade numa resposta. Escolho os livros pelo assunto. À noite vou à estante e escolho 5, 10 ou 15 livros sobre o assunto que me interesse. Depois chego a ler dois ou três livros numa noite. Consulto outros. Sublinho todos para da próxima vez bastar-me ler os sublinhados. Compro outros livros. Quando visito alguém procuro sequiosamente nas estantes livros sobre estes assuntos. Vou a bibliotecas. E para finalizar falo com especialistas nos assuntos, para tirar dúvidas e arrumar bem as ideias. Além de fazer as pesquisas na net. Mas que não são muito de fiar, diga-se em abono da verdade.
Parece que o maior desafio dos professores é mesmo serem capazes de fornecer suficiente informação para o sobredotado se manter interessado na aprendizagem.
E tem de ser o interesse do sobredotado a guiar os estudos.
Mas parece que continuam a não existir leis adequadas que nos facultem a oportunidade de saltar anos ou entrar para a universidade muito jovens. Nem uma Mensa Portugal existe! Devemos ser um dos poucos no 1º mundo e o único país da Europa em que isso acontece. Sintomático.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Então, eu e a Marluce, éramos os manequins mais bem pagos


Mais uma foto de uma passagem de modelos nos anos em que eu e a Marluce éramos os manequins mais bem pagos em Portugal. Por esta altura ela e o Carlos Cruz tinham começado a namorar. Conheci-o por intermédio dela.
Tenho muito boa memória da Marluce. Gosto dela apesar de já não nos vermos há décadas. Lembro-a como uma pessoa muito centrada, profissional, trabalhadora, generosa e sem a detestável "mentalidade de pobre". Por mentalidade de pobre não quero dizer que só gosto de pessoas ricas. Até há mais gente minha conhecida com mentalidade de pobre sendo rica que as outras. Refiro-ma aquela atitude de saquear tudo o que possa aos outros por os invenjar ou mera ganância. Ou seja por se sentir pobre. Como o tio Patinhas.
Entre os melhores modelos o ambiente era muito bom. Escolhiam-nos por sermos diferentes umas das outras. Nunca senti competição. Mais uma agradável fraterninade que ainda hoje dura quando nos encontramos. Numa festa do Abel Dias no ano passado, revi a Ana Maria Lucas e a Riquita e foi isso que senti: amigável fraternidade.
Essa só existia ao lidarmos com as que nunca chegariam onde nós estávamos.
Nesta foto eu estou ao meio durante uma das voltas da coreografia final.
A Marluce está à esquerda e a Cristina Carrascalão à direita.
A empresa para que trabalhávamos era a Hevimac. Corria o ano de 1980. Mês de Outubro.
Eu tinha tido a minha querida filha em Janeiro desse ano. Um ano dos mais marcantes da minha vida. Que magrinhas que nós éramos!
Ainda há quem diga que éramos "fausse maigres"... Mas eu fartava-me de comer, só que à minha maneira.
Lembro-me de um episódio num dos muitos desfiles que fazíamos na província. Onde, como de costume, no jantar que se seguia as iguarias eram do melhor que há em cada região. Obviamente fartava-me de comer. Deliciada. O nosso cabeleireiro olhava para mim espantado.
-"Maria! Mas não vais à casa de banho vomitar? Assim engordas!"
-"Eu!?! Amanhã como à minha maneira e limpo tudo! Nem me fales em fazer tal coisa. Está a saber-me tão bem!"
Compreendo lindamente quem tenha anorexia ou bulimia. Certos pseudo/alimentos são uns traidores. Sabem bem... mas fazem mal!
Não há nada mais perverso. Por isso tantas pessoas sofrem delas. Sendo do mais inteligente que há.


Nestas fotos tinha eu uns 40 anos. Estão sem data. Sei que foram feitas para a agência de modelos publicitários Perfil 45 e para a de castings da Patrícia Vasconcelos.
Por isto estão tão dramatizadas.
O fotógrafo... não recordo o nome, mas era óptimo!

Numa festa no Estoril

Deliciosamente demodée esta foto.
Aqui estou eu, em pé de vestido encarnado e preto. Corria o ano de 1990. E o mês era o de Janeiro.
Não digo quem eram as outras pessoas para respeitar a sua privacidade.
Quem conhecer conhece. Quem o não fizer... é porque isso não é importante.
As coisas acontecem sempre da melhor maneira. ;-)
Até no modo como as modas passam.

MT - Terapia anti-stress


Este foi um artigo escrito por mim sobre a Meditação Transcendental para a dupla página central dedicada à mulher no caderno central do semanário "Semanário".
A Madalena Fragoso coordenava-a. Tinha uma crónica e a Maria do Céu Avelar era a outra colaboradora.
Curiosamente Mª do Céu fazia uma recomendação muito boa e ecológica para ocupar as crianças ao fim de semana: confiar a cada uma delas um canteiro para semear e tratar dele. Para quem vivesse num apartamento que arranjassem um caixote com terra para semearem condimentos.
Só pude digitalizar parte das duas páginas, obviamente.
Portanto foram as páginas 32 e 33 do "Semanário" na edição de 30 de Maio de 1987.
Nesta época só eu e o Afonso Cautela nos ocupávamos na imprensa nacional, destes temas de ecologia, medicinas naturais e similares.
A propósito alguém me pode informar onde são hoje as instalações da MT em Lisboa?
Há anos passei pela rua arriaga e já não estava nada afim com a MT, na casa de sempre.

Colabore no progresso do seu país guardando o seu dinheiro nos bancos

Colabore no progresso do seu país
guardando o seu dinheiro nos bancos

Era o que estava escrito em letras garrafais num anúncio de página inteira repetido em todos os jornais.
A mensagem de um banco que já nem existe, o Fonsecas & Burnay.
Tal como o jornal, o Diário de Lisboa.
Este foi na edição do dia 7 de Setembro de 1974.
Existiu uma outra campanha em que repetiam "Invista! Invista!"
Para as pessoas investiram o dinheiro apesar do caos da época.
No pós 25 de Abril fui o modelo publicitário que mais trabalhava na minha agência: "Estúdio E" do João Rapazote, com a Anabela Bragança e o Zé Damas. Não sei se existia alguma outra que tivesse sobrevivido à revolução. O trabalho em moda tinha desaparecido. As clientes tinham fugido e portanto a alta costura acabou também.
Aqui era eu, o modelo que, ao telefone, aliciava os habitantes "deste país" para "protejerem o seu dinheiro" nos bancos.
O texto é muito mais significativo lido nos dias de hoje. Clique na imagem para poder ler o histórico texto.
Nos anos seguintes não havia negócio algum que fosse mais produtivo que os 20 e tal % de juros que a banca pagava. Salvo "talvez o negócio da droga". O dinheiro tinha ficado "muito caro" como me lembro de ouvir lamentar-se um dos maiores empresários daquela época, que não atinava com as "novas políticas".
Hoje, dia de eleições, pus-me à procura de um artigo que escrevi para o jornal Semanário. Não o encontrei, mas encontrei estas velhas imagens que estou aqui a partilhar consigo.
Talvez com o nosso dinheiro, que desde então teremos depositado, é que compram aquelas portas inúteis e perigosas que só servem para nos pregar sustos, senão fôr para nos mandar para o hospital. ;-)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Senti-me num filme do Jacques Tati

Ontem fui comprar uns livros na livraria da Europa América, perto da Gulbenkian. Deixei os recortes do catálogo com a empregada e, como boa ecologista, fui ao lado levantar dinheiro para pagar cash.
Entrei na primeira porta que me pareceu um multibanco.
Entrei... mas a porta não fechava. E teimava em não me obedecer quando eu a quis fechar para usar a máquina em paz..
Teimou em abrir até aos 90 graus e depois começou a fechar-se sozinha.
Só então me dediquei a olhar para a máquina e vi que não servia para o meu cartão.
Resolvi sair. Carreguei no botão ao lado da porta.
E tive de dar um grande salto senão levava com a porta na cara.
Lá se abriu ela outra vez até aos 90º só então começou a fechar-se. Sozinha. Com outro movimento enérgico.
Achei que conhecia de qualquer lado aquela situação absurda. Lembrei-me de onde conhecia aquilo. Senti-me num filme do Jacques Tati.
Aquele sistema deve ser muito bom para matar velhinhos com poucos reflexos!
Ficaram tão actuais estes filmes e este realizador.
Ps: Aquela cabine diabólica pertencia talvez à CGD. Tinha um símbolo azul com uma ave.
Cuidado!