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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Comer pela Paz

Vivemos há pouco um dia dedicado a meditarmos sobre a Alimentação Vegetariana.
Num planeta com tal falta de harmonia que quase tudo o que se relaciona com a comida se tornou demencial.
A UNESCO diz que são 40.000 crianças!
As quais têm morrido no nosso mundo. Diariamente, por falta de nutrição. Por falta de comida.
Quarenta mil crianças, diariamente!
Entretanto desperdiça-se comida. Desperdiça-se vida.
Quando se vive num mundo de abundancia. Em que tudo chega para todos. Vejamos.

O volume de grãos que cultivamos no ocidente é, na sua maior parte, usado para alimentar o gado criado para ser vendido como carne. Chegamos ao disparate de 95% da aveia e 87% do milho produzidos nos EUA não ser para consumo humano, mas para os animais criados para serem comidos.
Isto representa o uso de 45% de toda a terra disponível no país.
Mais da metade da água consumida nos Estados Unidos é usada na criação de animais de corte. São necessários 2500 galões de água para produzir meio quilo de carne, mas apenas 25 galões para produzir meio quilo de trigo.
Uma dieta totalmente vegetariana requer 300 galões de água por dia, enquanto que uma dieta à base de carne requer mais de 4000 galões de água por dia.
Criar animais para consumo, causa mais poluição da água que qualquer outra indústria nos Estados Unidos, porque os animais criados para consumo produzem 130 vezes mais excrementos que o total da população humana. Isso significa 45.000 quilos por segundo.
Muito dos dejetos advindos das criações de gado e matadouros fluem para rios e ribeiros, contaminando as fontes de água limpa.
Comer de forma consciente - mindful eating - pode ajudar a manter a compaixão no nosso coração. Uma pessoa sem compaixão não pode ser feliz, não pode relacionar-se com outros seres humanos e com outros seres vivos.
Uma segunda espécie de comida que consumimos diariamente são as impressões sensoriais ou alimentação vibraconal.
Ou seja a comida que comemos com os olhos, os ouvidos, a língua, o corpo, a mente.
Quando lemos uma revista, nós consumimos o que entrou pelos nossos 7 sentidos.
Quando assistimos à televisão, consomimos aquela vibração.
Quando você escuta uma conversa, você consome. E estes ítemes podem ser bastante tóxicos. Podem existir muitos venenos, como desejos, violência, raiva e desespero.
Porquê permitimos sermos intoxicados quando consumimos em termos de impressões dos sentidos?
E porquê permitimos que nossas crianças também se intoxiquem?
O resultado foi a doença, o ser-doente, a violência, o seu desespero.
E, se se praticar o olhar em profundidade - meditação - torna-se capaz de identificar as fontes de nutrição, da comida que nos tem sido trazida.
Portanto, todas as nações têm que praticar este olhar profundo para a natureza do que se consome diariamente. E, o consumo consciente é a única maneira de proteger a nossa nação, a nós mesmos, à nossa família e à nossa sociedade.
Precisamos aprender o que produzir e o que não produzir, a fim de prover as pessoas apenas com aquilo que é nutritivo e curativo.
Nós podemos abandonar já aquilo que pôde trazer guerra e desespero para o nosso corpo, para a nossa consciência.
E até para o corpo coletivo e para a consciência da nossa nação e da nossa sociedade.
É hora!

sábado, 30 de julho de 2005

Nunca teremos vedações suficientemente altas se há fome do outro lado




Estou a ouvir (e ver de vez em quando) um programa optimo no Canal História.
Finalmente estou a perceber como os nossos subsídios aos agricultores vindos de Bruxelas empobrecem populações por todo o mundo.
Como a América e a Europa têm conseguido arruínar a vida do resto do mundo. Fizeram "dumping" à economia local, com preços abaixo do custo. Subsídios.
E nós, europeus e americanos, nem sequer somos felizes.
Os nossos produtores locais também sofrem "dumping". E nós, cá vamos, como burros atrás da cenoura dos preços mais baratos, sem consciência da ruína, dependência e infelicidade que isso nos traz?
A sagrada agricultura de sobrevivência, como tudo o que for bom, tem sido ridicularizada.
Agora vejo um grande monte de milho no Gana, que eles não conseguiram vender.
E ainda nos querem convencer que os transgénicos seriam necessários para eles não morrerem à fome.
Depois queixam-se que venham emigrantes de todo o mundo para cá e para os EUA!
Dizem que não os querem... mas usam-nos como escravos.
Ou importamos os produtos deles ou importamos (sem querer?) a eles?
E para que é que precisamos de trabalhar tanto e de empregos?
Os empregos estão a acabar e são uma tremenda chatisse. Temos o direito de viver bem, ao abrigo e à alimentação por sermos Sagrados Seres Humanos.
Precisamos só de trabalhar ao fazer aquilo de que gostamos, sendo felizes.
Para quê essas ilusões vindas do passado?
Esta mentalidade sado-masoquista?
Para gastar tudo em medicamentos tóxicos, engenhocas de alta tecnologia (bem, eu aqui estou a usar o laptop...) ou quinquilharias, feitas por escravos, compradas nas lojas dos trezentos?
Já o Agostinho da Silva dizia que o nosso grande desafio era aprender a viver sem trabalhar.
Que vinham aí tempos muito conturbados.
Que íamos atravessar uma grande tempestade.
Que como no mar para não enjoarmos, tínhamos de manter os olhos fixos na linha do horizonte.
Mas onde é que está a linha do horizonte?