terça-feira, 18 de outubro de 2005

Praxes e Liberdade na Educação

Quando ando por Lisboa nesta época do ano choco-me sempre com os espectáculos violentos de tortura a seres humanos que são as praxes universitárias.
Eu sou do tempo em que não havia praxes. Para nós eram asquerosos hábitos fascistas.
Agora tornaram-se uma estúpida e aviltante tradição.
No ano passado, um dia estava no metro quando este parou na estação da Cidade Universitária. Comecei a ver entrar jovens rapazes e raparigas perturbadíssimos. Desenraízados. Atarantados. Com os chacras e auras numa miséria. Não vejo as cores ou formas (Adoraria. Deve ser um espectáculo extraordinário!) das auras nem chacras. Porém o estado dos chacras e da aura deixam sinais evidentes e bem materiais nas pessoas.
Pela conversa deles percebi que tinham entrado em Direito e tinham sido torturados, ou seja praxados, durante essa tarde. Portanto passei por aquela estação da linha amarela depois de um desses rituais de Magia Negra a que chamam Praxes. (tudo o que provoca medo é Magia Negra)
Há uns anos voltei à minha faculdade de Belas Artes no Chiado. Ao sair da secretaria pus-me a ler os anúncios e falei com um colega de agora. Ele queria que eu lá voltasse no dia seguinte para assistir às praxes que, assegurava-me, não seriam violentas. Agradeci mas não aceitei; dizendo que se eu não assistia a touradas apesar de fazerem parte da minha cultura de infancia muito menos iria asistir a um espectáculo de torturas a pessoas.
Impressiona-me a desumanidade das atitudes. Nem sabem o que é violência. Praticam-na mas não pensam. Há dias espancaram um velhinho de mais de 70 anos que numa noite destas em Faro tentou que não rebentassem com algo do mobiliário urbano.
São de uma ferocidade brutal e estranha. Desumana. Sem limites.
Mesmo os toureiros são pessoas humanas e educadas apesar das profissão. Esta gente não.
Será por serem filhos do biberom e das creches e não de suas mães?
E em cima de tudo este desastres temos as canções das tunas que encontro pela rua. Bêbados fardados de preto a vomitar palavrões cantados.
Tudo isto é sinal de péssimo estado de saúde, especialmente a nível sexual e do fígado e do coração.
Tenho andado a pensar em deixar os meus filhos pequenos fazerem apenas a escolaridade obrigatória. Depois que aprendam um ofício útil. Quanto à cultura têm-na em casa. Com a família e os nossos brilhantes amigos.
Os meus filhos grandes fizeram a universidade. E não gostei nada do efeito desumanizante que teve neles. Nem parecem pessoas com sentimentos. Apenas coisas "sempre funcionais".
No fim de semana comentei com um velho amigo que também se arrepende de que os filhos tenham ido para a Universidade. Além do mais o canudo e o título de Dr. deixou de ser uma enxada. Queixou-se que ficaram deficientes para se desenrascarem na vida.
Os meus primos mais novos que vivem melhor são os que não acabaram a universidade.
Hoje estive a falar disto com uma amiga psicóloga. Os filhos dela também estão a estudar restauro e joalharia.
Nada daqueles cursos universitários que nós tínhamos de escolher. E que ainda deslumbram tanta gente; com o quero que o meu filho seja doutor!
Contudo cuja utilidade é cada dia mais discutível.
Esta associação foi para mim uma esperança para ter uma escola com a qual possa partilhar a responsabilidade de preparar os meus filhos adequadamente para a vida.
Vejamos o email que recebi:

Fórum para a Liberdade de Educação
Exmo(a) Senhor(a),
A Fundação Manuel Leão promove no próximo dia 19 de Outubro de 2005, entre as 10h e as 13h, no Auditório A1 da Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional do Porto – Pólo da Foz, a apresentação pública dos resultados do Programa de Avaliação Externa de Escolas (Programa AVES), em desenvolvimento desde o ano lectivo 2000-2001.
Considerando o interesse do trabalho desenvolvido, o Fórum para a Liberdade de Educação vem por este meio divulgar a iniciativa.
Com os melhores cumprimentos
Filipa Lima Esteves
Fórum para a Liberdade de Educação
Rua Dr. José Joaquim d'Almeida, 819
2775-595 Carcavelos
Tel.: +351 914290109
Fax: +351 210045852
E-mail: info@liberdade-educacao.org
Website: www.liberdade-educacao.org
"Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos" Art.º 26º da Declaração Universal dos Direitos do Homem
"Não há liberdade sem concorrência; não há concorrência sem liberdade"


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FUNDAÇÃO MANUEL LEÃO
Ex.mo(a) Senhor(a)

Desde o ano lectivo de 2000-2001, a Fundação Manuel Leão tem desenvolvido um Programa de Avaliação externa de Escolas (Programa AVES), que visa fornecer às mesmas indicadores que favoreçam a melhoria do seu desempenho.
Através de instrumentos devidamente aferidos, o Programa AVES produz 3 relatórios anuais sobre áreas de conhecimento, competências de raciocínio, tipo de estratégias preferidas e opiniões sobre temáticas diversificadas, procurando efectivar este processo através de avaliações temporalmente circunscritas – um ano lectivo – mas também distendidas no tempo analisando o valor acrescentado de cada escola.
Cinco anos volvidos, é altura de fazermos o ponto da situação e de tornar públicos os seus resultados. A Equipa do AVES resolveu partilhar com as Escolas que estão no programa e com todos os potenciais interessados numa melhor qualidade das nossas escolas (professores, investigadores, associações de pais e comunicação social).
O Encontro realizar-se-á no dia 19 de Outubro de 2005, entre as 10h e as 13h no Auditório A1 da Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional do Porto - Pólo da Foz.
O Programa do evento terá a seguinte ordem de trabalhos:
1. Apresentação do Seminário e do Programa AVES
2. Resultados dos inquéritos de Opinião aos alunos e pais
3. Resultados do Aproveitamento escolar dos alunos
4. Apresentação dos resultados de Valor Acrescentado
5. Debate sobre os resultados apresentados
Com os melhores cumprimentos
Prof. Doutor Joaquim Azevedo
Presidente da Fundação Manuel Leão
Todos os interessados devem realizar uma inscrição prévia (número limitado de 200 participantes), gratuita, para:
Fundação Manuel Leão > Programa AVES > Rua Pinto de Aguiar, 345 > 4400-252 Vila Nova de Gaia > t. 223708681 f. 223709331 > fmleao@mail.telepac.pt > www.fmleao.

4 comentários:

Anónimo disse...

Concordo em pleno com a sua observação sobre a educação e sobre as praxes! Um grande viva! Já agora um outro assunto, como é possível um blog tão recente ter já mais de 9 mil visitantes...? Não faz como alguns que aumentam os números de propósito, pois não? abraço. Sara***

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

A PRAXE É APANÁGIO DAS BESTAS QUE AS PRATICAM.

SÓ UMA MENTE DOENTIA PODE ACEITAR ESTAS PRÁTICAS - DITAS INOFENSIVAS.

A REINTEGRAÇÃO ESTUDANTIL, PROFISSONAL OU DE OUTRO QUALQUER GÉNERO PEDE E DEVE SER FEITA NATURALMENTE E NÃO COM ACTOS QUE DESPREZAM OS DIREITOS DE CADA UM.

É TEMPO DE A SOCIEDADE SE OPÔR A ESTAS ACTIVIDADES COERCIVAS E DE INTIMIDAÇÃO. É QUE NA NOSSA MEMÓRIA ESTÃO ACTOS DE SERES ABJECTOS QUE GOZARAM E GOZAM COM O ESCÁRNIO E HUMILHAÇÃO DOS SEMELHANTES, CUJOS TERRÍVEIS NOMES DÃO POR HITLER E BIN LADEN, PARA NÃO DIZER MAIS.

SEI QUE MESMO ASSIM HAVERÁ QUEM CONTINUE A GOSTAR DE SER GOZADO. ESSES, NÃO SE ESQUEÇAM... PASSEM NO ZOO MAIS PRÓXIMO E INSCREVAM-SE COMO BESTAS, POIS NÃO FALTARÁ QUEM OS MONTE.

Anónimo disse...

Domingo, Outubro 14, 2007
É tempo de praxe


Todos os anos por esta época as universidades portuguesas enchem-se de estudantes que fazem coisas ridículas sob orientação dos seus colegas mais velhos. Esta semana cruzei-me em Aveiro com um longa bicha de caloiros que vinham da ria acartando nas mãos, debaixo do sol, sacos plásticos cheios de lodo. Presumo que a intenção fosse levar aquela porcaria para a Universidade. Em Coimbra, ao pé da escadaria monumental, passei por um estudante com o traje académico que era escoltado ao caminhar por quatro colegas recém-chegados à capital da cultura universitária que o rodeavam de braços estendidos no ar agarrando a capa dele sobre a sua insigne cabeça para que esta não apanhasse sol de mais. Suponho que teria medo que o pequeno cérebro derretesse.
Chamam a isto a praxe, e a justificação dada para que os colegas mais novos se tenham de lhe submeter é a necessidade de “integração”. Só há integração para quem não fizer ondas e aceitar com humildade os tratos de polé. Os caloiros são mandados fazer figura de urso para se poderem integrar, com a promessa de que um dia também poderão ser superiores prepotentes e terão enfim o direito de mandar uma nova geração de inferiores (caloiros/lamas/lodos) fazer por sua vez figuras tristes. É a apologia da humilhação como estratégia pedagógica.
Dizem os praxistas que é bom como aprendizagem para a vida, como preparação para o mundo. Aprende-se assim a respeitar a hierarquia, preparam-se os jovens para um modelo de relações profissionais baseado não no respeito mútuo, mas nas pequeninas e mesquinhas maneiras quotidianas de lembrar quem é o superior. Um modelo onde pouco conta o mérito, onde as ideias novas ou diferentes são malvistas, no qual importante é saber lamber as botas de algum cacique. Aprende-se a obedecer sem questionar. Para que se perpetue uma cultura que promove o medo de ser o destravado da língua que comete a heresia de dizer que o rei vai nu. E que é saneado pela ousadia. A praxe é um reflexo do triste país que temos, portugalzinho no seu pior.

Publicada por João Paulo Esperança em 11:52 PM 0
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